16
mai

Além do meu jardim.

Postado por: Nescau  em Diversos

Eu procurava o amor em jardins de cactus.

Vinha buscando o fruto em árvores erradas, e nas mordidas sentia o gosto azedo, que amarga no fim da boca.

Colhi amores podres, comidos pelo tempo e dor.

Foi preciso paciência – e um outro tempo – amadurecendo um fruto para colhê-lo doce, suave, terno e delicado.

Simples como naturalmente é.

Eu imaginava haver segredos por trás dos espinhos.

Mas é puro acaso que amores e espinhos se encontrem em botões abertos ou fechados.

A rima entre amor e dor é armadilha. O

verdadeiro fruto está ao alcance das mãos – mas é tão rasteiro, que quase não se vê.

É preciso passear sem fome para enxergá-lo redondo, vermelho.

Para então mordê-lo distraído como numa tarde de chuva.

O que eu faço com essa vontade de encurtar essa distância em um piscar de olhos?

De abraçar por horas, sem dizer nada e com um beijo te dizer tudo que milhares de poemas não conseguiriam dizer.

Porque mesmo longe, você é mais presente do que qualquer outra pessoa.

Meu coração pede atitudes. Pede seu colo e o seu silêncio.

O seu olhar que diz tanto.

O seu sorriso pertinho do meu.

4
mai

Em meu lugar

Postado por: Nescau  em Diversos

Por hora não te vejo, mas sempre a sinto, te levo comigo, sua imagem colada em minha retina, que a cada dia fica mais retorcida.
Sinto o sal no gosto dos lábios, revivo o torpor que é estar em seus braços e lembro-me de quando tudo começou:
O cruzar de olhos, o ensaio de um sorriso e o arrepio.
Senti o peito inflamar, o tempo parar e então cantei para os quatro ventos que
onde você estiver lá é meu lugar.
26
abr

Migalhas

Postado por: Nescau  em Contos, Crônicas

Por amor, às vezes a gente se acostuma com pouco.
Menos que isso. Nos acostumamos com migalhas, com apenas uma mordida da fruta, enquanto o pomar da sombra à outra pessoa.

Somos nós tão pobres de espirito assim que preferimos migalhas do que nada, do que correr atrás de uma sombra só nossa.
Sei que cortar essas raízes não é tarefa fácil, mas se já não estamos juntos de verdade, não será essa mera ilusão a nos unir.

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11
abr

O esporte deixou de ser apenas um exercício físico

Postado por: Natácia Silva  em Opinião

A compreensão atual do esporte vai além de uma simples prática corporal, o modelo enfatizado é visto como um estilo de vida que preza pela performance aliada ao consumo, refletindo diretamente no status e significação de cada um.

Tal modelo engloba a chamada arquitetura esportiva (criação de espaços destinados ao desenvolvimento de práticas esportivas “adequadamente”), princípio do rendimento máximo (embasado no rendimento máximo, competitividade máxima, estetização do sofrimento e ocultamento da dor), ideologia da juventude e da magreza e estímulo ao consumo de bens materiais.

A partir disto, é possível examinar a dimensão e influência deste modelo que afeta até mesmo o dia-a-dia, onde atividades cotidianas passam a “desenvolver-se” em função do desempenho, tornam-se práticas padronizadas, em prol do rendimento e aumento da capacidade. A movimentação humana prazerosa é banida.

O corpo é objeto de novos códigos, regras e práticas. As novas exigências primam pelo resultado, prevalece o trabalho mecânico, cuja precisão se dá através da ciência e da técnica. Não há espaço- na mídia- para as dualidades que coexistem no esporte, apenas são exaltadas as “glórias” esportivas e ocultam-se as lesões, dopings ou quaisquer outras coisas que venham macular a imagem do esporte.

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4
abr

De linha cheia

Postado por: Guilherme Fritsch  em Crítica, Poesias

Reescrevendo ditos populares com poesia,

eu diria que alguns poetas

reclamam de linha cheia.

Tem gente que enche a linha

pra falar que poesia

não tem utilidade.

Mas eu discordo e faço gracinha

para a linha rir: o peixe morre pela linha.

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3
abr

E ele corre…

Postado por: Luana Müller  em Crônicas, Diversos

Corre mais rápido do que possamos perceber…
E quando nos damos conta percebemos que ele escorre por entre os dedos…
e nos deixa parados, perplexos…

ele vai indo, indo, devagarinho, mas numa velocidade que nos deixa espantados.

Quando menos percebemos nos perguntamos: poxa, mas já é abril?

É, esse bendito tempo que corre, corre, corre tão devagar que nem percebemos…

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31
mar

Despiste

Postado por: Guilherme Fritsch  em Poesias

Busco versos onde não há.

Converso comigo,

deitado no sofá.

Neste sofá, e naquele,

a pele marcada

pelo tecido em relevo.

Revelo a mim mesmo,

que de fato, o passado

passa perto.

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26
mar

No amor

Postado por: Nescau  em Diversos

De pele morena,

Com alma serena.

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23
mar

Eufemismo

Postado por: Luana Müller  em Fragmentos

Difícil é ser gente grande por necessidade. É não poder brincar, rir, cantar…

Difícil é precisar colinho, carinho, cuidado e ser grande demais para ganhar.

 

Vontade de ser criança novamente…

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21
mar

Pego!

Postado por: Guilherme Fritsch  em Micro Contos

Esgueirou-se pelo corredor mal iluminado. Chegou ao fim da parede e,  prendendo a respiração, lentamente moveu a cabeça para dentro da peça. Esperou que seus olhos se acostumassem com o breu. Aos poucos, as formas dos objetos começaram a ser traçadas em sua retina.

Num movimento mais cuidadoso ainda, adentrou naquela peça, com passos lentos e braços abertos, como se estivesse andando sobre uma corda bamba.

Quase antingindo seu objetivo, o coração na boca, pôs uma das mãos, lentamente, sobre o puxador do armário.

A luz da cozinha acendeu.

- Há! Os biscoitos não estão mais aí – disse uma voz feminina, cuja dona displicentemente pusera as mãos na cintura e moldava uma expressão de reprimenda no rosto.

- Ah… – retrucou, desanimado, um menininho cabisbaixo, que voltava para o quarto arrastando os pés.

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